Hoje penso de forma diferente



Não podem construir sonhos se não há esperança. "Adeus carro de boi, adeus pau de arara. Meu coração bate calado enquanto choro, a Deus imploro, livrai este povo de tamanha agressão". Sei que a miséria é uma doença agressiva que mata e fere a alma, é muito triste viver em um país de governantes que sujam suas mãos não com terra para plantar feijão ou milho, mas com a corrupção e o consumo desnecessário. E desprezam sua missão de quebrar a desigualdade social. Não se preocupam com nada que não lhes tragam dinheiro. Abandonam a míngua um povo sofrido que luta para se manter de pé. Vivem suas vidas num mundo paralelo que só existe ganância e ostentação. Eu me pergunto, de quem é a culpa? Acho que é nossa! Temos o dever de transformar o mundo em que vivemos sem esperar por ninguém. O capitalismo tenta de alguma forma conjecturar um pensamento de que alguns nasceram para sofrer, enquanto outros, para serem felizes. A pobreza no fundo não está no sertão agreste desse país, ou nas favelas dos grandes centros urbanos. Essa miséria esta no caráter daqueles que jogam pra debaixo do tapete a sujeira que o envergonha diante de um mundo globalizado. Líderes que nutrem dentro de si a ignorância do poder sem causa. O que é o governo? Se não o pai de uma nação. O filho absorve os aprendizados do pai, assim também esse país aprende e espalha essa essência ignorante de corrupção por todos os estados. "A corrupção não é um problema do país, mas do homem"! Por isso, vemos uma distribuição de renda que foge completamente do significado da palavra (igualdade). A febre aumenta a cada dia, e febre é sinal de que algo não vai bem. Milhões estão morrendo por conta do eu prometo que vou fazer.  Hoje penso de forma diferente, atribuo isso ao conhecimento que me é vendido como uma laranja espremida na máquina da educação, que sobrevive com o bagaço de baixos salários e investimentos de interesse político, dado a sorte quando se chega a concluir o ensino fundamental, como diz a palavra, é fundamental não somente para educação e conhecimento, mas para sobrevivência desse cidadão que alimenta o poder público com suor e sangue, que ao final de uma jornada de trabalho descobre ao chegar em casa, uma construção inacabada, um sonho não realizado, e com tamanha esperança se mantém de pé na luta por uma vida melhor. Posso estar louco, mas o que vejo emudece-me... Por saber que esse mesmo trabalhador senta-se no recanto do seu lar, para ver  nas imagens da sua TV, o mais puro suco na mesa daqueles que através da corrupção escondem a dignidade e honra desse cidadão que confiou no mesmo poder público, que sem vergonha o rouba ao vivo, colocando seu suor que transformado em notas de cem, escorrem pela suas cuecas sem ao menos se importar com o pobre, e porque não dizer coitado! Restará saída para uma democracia tão pobre de igualdade, e ao mesmo tempo tão rica de corrupção. Foi-me feita uma pergunta quando eu era criança. Como eu mudaria o mundo? Hoje penso de forma diferente... Só queria renunciar a esse conhecimento.

Fernando Duarte

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